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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Respeito e Amor ao Próximo

A maioria do povo brasileiro ainda não conhece o significado correto da expressão “amar o próximo como a si mesmo”. O mau uso da palavra, amar, pela nossa arte e pela nossa mídia, que insiste em relacioná-la tão freqüentemente ao namoro e ao sexo, acaba nos confundindo. No entanto, mesmo antes da era cristã, amar era se relacionar com total igualdade de consideração, sem superioridade ou inferioridade e com tolerância às normais falhas e diferenças dos seres humanos. Amar o próximo (na sua definição mais simples) é não lhe fazer coisas que nós não gostamos que sejam feitas conosco, e só fazermos o que concordarmos com que também sejam feitas conosco. O que nós não gostamos de receber, o nosso semelhante também não deve gostar. Se respeitar-mos essa regra, nos tornaremos cooperadores um do outro ao invés de destruidores, um do outro, como tem acontecido tão freqüentemente na nossa sociedade. Precisamos entender melhor o que é amor fraterna para colhermos boa convivência pessoal, familiar e social.É importante entendermos, entretanto, que o sentimento de amor não nasce do nada, não nasce de si mesmo, ele só nasce quando se tem verdadeiro esclarecimento e pleno entendimento sobre a respectiva situação ou pessoa em questão. Na verdade, o amor se cultiva com boa educação, muita informação e adequados esclare­cimentos, humanos, sociais e religiosos. Povo sem informação, sem discernimento da verdade e sem temor a Deus, dificilmente consegue desenvolver o verdadeiro amor ao próximo.É importante entendermos, também, que cultivar o amor ao próximo não implica em exterminar preconceitos da nossa sociedade. Tentar destruir preconceitos à força não é amar o próximo. Na década de 90, supostos defensores de direitos humanos (agindo como defensores de “anomalias humanas”) deformaram a palavra preconceito, a palavra amor, a palavra cultura e algumas outras. Parece que a intenção era confundir o significado destas palavras e abrir caminho para oficializar práticas pagãs na nossa sociedade. O que queriam, na verdade, era popularização o homossexualismo, a infidelidade conjugal, os rituais satânicos, a prostituição em diversos níveis e outros comportamentos degradastes e imorais justificando-os como festivos e culturais.Ainda na década de 90, algumas personalidades da mídia usaram uma máscara de amor ao próximo para condenar as discriminações de caráter preventivo e apregoar a indiscriminado total e generalizada. Tais pessoas, de ideais utópicos e estranhos, estão atribuído conotações exclusivamente pejorativas, à palavra preconceito, para desmoralizá-la e destruir seu efeito preventivo.Uma outra questão muito importante também, e que precisa ser esclarecida é que os seres humanos podem ser corrigidos, disciplinados ou recuperados por intermédio de dois métodos diferentes: O primeiro método é o do “olho por olho e dente por dente” (justiça rígida), o segundo é o de “dar a outra face” (amor e compreensão). O primeiro método é mais apropriado durante a fase educativo, isto é, durante o período em que a pessoa em questão ainda está em fase de aprendizado. A justa punição, quando bem aplicada, induz as pessoas a enxergarem seus erros e recomeçarem novamente. Entretanto, se já tiver transcorrido o adequado período educativo, a punição, ainda que justa, pode produzir ódio e revolta por incapacidade de entendimento da pessoa “mal formada.Portanto, após a fase educativa a punição já não funciona mais. Nesses casos, só o amor consegue recuperar o que já estiver perdido (se ainda houver recuperação). Observe que quando uma pessoa má (ou mal formada) comete um erro e recebe uma palavra de amor e compreensão, ao invés de uma punição, ela fica envergonhada e é induzida a meditar sobre a respectiva questão. Esse momento de vergonha e meditação abre espaço para arrependi­mentos e uma possível recuperação, que pode reverter todo tipo de mau compor­tamento. No entanto, existe também um problema: se a técnica do amor e da compreensão for utilizada indiscriminadamente, durante a fase educativa, ela pode induzir os mais rebeldes a se tornarem insensíveis e sem-vergonha. Por isso, devemos usar de justiça rígida para educar, e de muito amor e compreensão para reeducar e recuperara.

Amor ao Próximo


Passamos uma grande parte da nossa vida, ou até mesmo a vida toda, se for preciso, pensando unicamente em nós. Os outros, incluindo os familiares a amigos, acabam por ser peças que utilizamos, para a concretização dos nosso sonhos e anseios, para a realização das nossas vontades. Não pretendo afirmar que o façamos propositadamente, o que ainda torna o propósito mais grave, na medida em que, prova ser inato no ser humano, a capacidade de utilizar os seus semelhantes para a concretização das suas vontades. Utilizamos os familiares por disporem de uma ligação genética a nós e porque achamos que têm a obrigação de nos ajudar, utilizamos os amigos, pois consideramos que se somos amigos deles, deverão ter a obrigação de serem nossos amigos, utilizamos os colegas de trabalho, desde que os consigamos utilizar e utilizamos até os nossos inimigos, na medida em que, os mantemos à distância, por forma a que não nos incomodem, para que os possamos classificar como tal.Mas, a vida desenrola-se sinuosamente e nunca em linha recta. Quando menos esperamos, surge-nos um obstáculo, por vezes dificil ou impossivel até de ultrapassar, e então, somos obrigados a repensar a nossa forma de ser e de estar definitivamente.No meu caso concreto, surgiu-me a infecção pelo HIV, como um grande, o maior obstáculo, com que alguma vez me deparei e desde então tenho prestado a maior atenção ao meu comportamento e tenho verificado que o mesmo se tem vindo a alterar progressivamente. Passei a dar mais amor à vida e consequentemente aquilo que a constitui, o próximo. Dar amor ao próximo é de facto gratificante. A minha vida é agora mais repleta de sentido. No mundo existe muito sofrimento nas mais diversas formas e cumpre-nos a cada um de nós, ter um efeito minimizador no sofrimento dos que nos rodeiam, contribuindo assim, para minimizar também o nosso próprio sofrimento. A entreajuda é de facto uma terapia complementar a todos os sofrimentos. Neste blog, dedicado essencialmente à causa da sida e das hepatites viricas, está sempre presente o espirito de entreajuda, extensível a outras causas, que porventura causem sofrimento aos nossos semelhantes.Sem desejar mal a ninguém, seria necessário que cada um de nós despertasse para o espirito de amor ao próximo e de entreajuda. No entanto, muitos de nós, só despertamos para esse espirito, quando efectivamente precisamos que o próximo nos dê amor a nós. E voltamos então ao inicio desta relação que caracteriza tão bem os seres humanos.Apelo a todos os leitores, para que se consciencializem da efemeridade da vida, na qual estamos todos de passagem, e na qual muitos de nós sofrem diária e desmesuradamente em busca de um próximo que lhes dê amor. Estendam os braços e abram as mãos, e partilhem da reciprocidade do amor ao próximo e constatarão que a vida será de facto menos pesada, menos sofrida, mais ampla e mais sentida. Aproveitem o virar da página 2007 e intitulem a página 2008, rabiscando no topo da mesma a menção amor ao próximo, e preparem-se para viver um ano intenso e gratificante, desta vez, de dentro para fora, e nunca mais simplesmente e apenas de fora para dentro.